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Mostrando postagens de junho, 2025

A Doença Mental Como Forma de Vida: Reflexões Lacanianas sobre o Outro e a Linguagem

  A Doença Mental Como Forma de Vida: Reflexões Lacanianas sobre o Outro e a Linguagem Por Elielberth Falcão No Seminário 3 – As Psicoses , Jacques Lacan afirma uma frase que, à primeira vista, pode parecer provocativa: "As doenças mentais não são doenças. São formas de vida do sujeito no campo do Outro." (Lacan, 1955-56) Essa declaração desloca radicalmente a forma tradicional de pensar os transtornos mentais. Em vez de tratá-los como meras disfunções orgânicas ou comportamentais, Lacan propõe compreendê-los como modos singulares de existência — formas pelas quais o sujeito se organiza diante da linguagem, da cultura e das normas sociais, ou seja, diante do que ele chama de "o Outro" . 1. Nem doença no corpo, nem desvio de conduta Para Lacan, os chamados transtornos mentais — especialmente as psicoses — não são doenças nos moldes biomédicos clássicos. Não há aqui um "órgão doente", mas sim um sujeito que sofre em seu modo de estar no mundo. O s...

Quando o Nome é Dito, o Monstro se Vai: Medo e Angústia na Clínica Psicanalítica

  Quando o Nome é Dito, o Monstro se Vai: Medo e Angústia na Clínica Psicanalítica Introdução Freud, em sua meticulosa observação dos afetos, já indicava que o medo é uma resposta ligada a um objeto externo, concreto e reconhecível. Em contraste, a angústia se apresenta como um afeto sem objeto claro. Esta distinção é essencial para o manejo clínico, pois a forma como o sujeito lida com cada um desses afetos denuncia a estrutura de seu sofrimento e orienta o percurso do tratamento. Jacques Lacan, por sua vez, oferece uma formulação precisa e perturbadora: "A angústia é o único afeto que não engana" ( Le Séminaire, Livre X – L’Angoisse , 1962–1963). Essa frase — poderosa e desconcertante — nos alerta que, ao contrário de outros afetos que podem encobrir ou mascarar verdades subjetivas, a angústia revela, sem disfarce, uma ruptura entre o sujeito e seu desejo. Medo: Quando o Nome é Dito No campo do medo, o objeto está nomeado. Trata-se, portanto, de uma experiência de d...

O mal-entendido do diagnóstico em psicanálise

  O mal-entendido do diagnóstico em psicanálise É comum que estudantes e iniciantes na escuta clínica questionem o papel do diagnóstico na prática psicanalítica. Afinal, em um mundo dominado pelo discurso médico e pelas classificações categóricas do sofrimento, a psicanálise parece um estranho no ninho. No entanto, é justamente esse deslocamento que constitui a singularidade do método analítico. O psicanalista não diagnostica no sentido tradicional, porque o que se escuta na clínica não é um quadro nosográfico, mas um sujeito dividido, marcado pela linguagem, estruturado pela falta e pelo desejo. Diferentemente das abordagens que tomam os sintomas como sinais de uma patologia objetiva, a psicanálise entende o sintoma como uma formação do inconsciente, uma tentativa singular do sujeito de responder ao real. O sujeito, não o objeto Para Lacan, não há como transformar a psicanálise em ciência nos moldes das ciências naturais, pois falta-lhe um objeto no sentido clássico. Ele escreve: ...

Persona: O Ser Sendo Não-Sendo

  Persona: O Ser Sendo Não-Sendo C. G. Jung, em sua teoria da Persona , afirma que o sujeito, ao longo da vida, constrói máscaras sociais para interagir com o mundo. A persona é legítima até certo ponto — todos precisamos desempenhar papéis. O problema surge quando o sujeito se identifica com essa máscara, passando a confundir o que apresenta com o que verdadeiramente é. Nas palavras de Jung: “A persona é aquele sistema de adaptações que resulta da demanda da coletividade. É um compromisso entre o indivíduo e a sociedade.” Quando essa persona é estruturada sobre o saber, sobre o acúmulo de referências e diplomas, corre-se o risco de criar uma imagem tão sólida e impenetrável que o inconsciente já não consegue atravessar. O sujeito torna-se um “grande sabedor” que nada sente de si . Ele é “não sendo”. A Falta como Fundamento: Lacan e a Estrutura Jacques Lacan contribui para esse debate ao recolocar o conceito de falta como estrutura fundante do sujeito. Em seu ensino, a i...