Liberdade não é desempenho
Liberdade não é desempenho Vivemos em uma época em que a liberdade se converteu em exigência de performance. O sujeito moderno acredita ser livre porque pode escolher, consumir, decidir e expor. No entanto, essa mesma liberdade o adoece, porque está aprisionada à lógica do “posso tudo” — uma lógica que não liberta, mas esmaga. Na sociedade do desempenho, como bem observou Byung-Chul Han, não há mais um senhor que oprime de fora; há um sujeito que se cobra de dentro. Ele é, ao mesmo tempo, senhor e escravo de si mesmo. Corre, produz, se reinventa, e ainda assim se sente em dívida — com o trabalho, com a imagem, com o sucesso. Mas a psicanálise nos alerta: liberdade não é desempenho. E mais — liberdade não é fazer o que se quer, mas, pelo contrário, é poder fazer o que não se deseja exatamente. Essa afirmação, aparentemente paradoxal, encontra sentido no campo freudiano. Freud nos mostrou que não somos donos do nosso querer. O “querer” está atravessado por determinações inconscient...