O Silêncio que Revela: Por que Alguns Não Suportam a Própria Companhia
O Silêncio que Revela: Por que Alguns Não Suportam a Própria Companhia Há uma ideia freudiana que sempre me impressionou: a de que o sujeito, ao não suportar o peso de si mesmo, tende a buscar o alívio na massa. Freud, em Psicologia das Massas e Análise do Eu (1921), descreve que muitos só se sentem seguros quando diluídos no grupo, como se a presença do outro funcionasse como uma defesa contra aquilo que poderiam encontrar em seu próprio inconsciente. Inspirado por essa formulação, costumo dizer que quem não suporta a própria companhia adquire o hábito de sempre buscar a presença alheia, não por afeto, mas por fuga. Essa fuga aparece de várias maneiras: no excesso de compromissos, nas conversas intermináveis, na incapacidade de estar só, na dificuldade de escutar o próprio silêncio — um silêncio que, para alguns, é mais ameaçador que o barulho do mundo. E é nessa dinâmica que a clínica se ilumina. A fuga do silêncio e o medo do inconsciente. Na prática clínica, observo que muitos paci...