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Mostrando postagens de novembro, 2025

O Silêncio que Revela: Por que Alguns Não Suportam a Própria Companhia

O Silêncio que Revela: Por que Alguns Não Suportam a Própria Companhia Há uma ideia freudiana que sempre me impressionou: a de que o sujeito, ao não suportar o peso de si mesmo, tende a buscar o alívio na massa. Freud, em Psicologia das Massas e Análise do Eu (1921), descreve que muitos só se sentem seguros quando diluídos no grupo, como se a presença do outro funcionasse como uma defesa contra aquilo que poderiam encontrar em seu próprio inconsciente. Inspirado por essa formulação, costumo dizer que quem não suporta a própria companhia adquire o hábito de sempre buscar a presença alheia, não por afeto, mas por fuga. Essa fuga aparece de várias maneiras: no excesso de compromissos, nas conversas intermináveis, na incapacidade de estar só, na dificuldade de escutar o próprio silêncio — um silêncio que, para alguns, é mais ameaçador que o barulho do mundo. E é nessa dinâmica que a clínica se ilumina. A fuga do silêncio e o medo do inconsciente. Na prática clínica, observo que muitos paci...

“A mulher não existe” O que Lacan realmente quis dizer?

  “A mulher não existe” O que Lacan realmente quis dizer? 1. Entendendo a frase que causa confusão Quando Jacques Lacan afirmou que “a mulher não existe”, ele não quis dizer que as mulheres não existem. O que ele quis mostrar é que não existe “A Mulher” como uma ideia única, uma essência que defina o que é ser mulher. Lacan está dizendo que cada mulher é singular — nenhuma pode ser totalmente representada por um modelo fixo, um estereótipo ou uma definição pronta. Ele faz essa afirmação em seu livro O Seminário, Livro 20 – Ainda (publicado originalmente em 1975), quando explica que o feminino não pode ser totalmente descrito pelas regras da linguagem ou pelas ideias que a sociedade cria sobre ele. 2. O verdadeiro sentido da frase. Lacan usa essa expressão para nos fazer pensar: As mulheres existem, é claro. O que não existe é uma mulher universal, um padrão que possa definir todas as outras. Ele dizia que “a mulher não é toda explicável”. Isso quer dizer que sempre há algo na exper...

Desejo e Demanda: O Que Realmente Quer o Sujeito?

Desejo e Demanda: O Que Realmente Quer o Sujeito? Em Psicanálise, o desejo e a demanda são conceitos fundamentais para compreender a estrutura do sujeito e suas relações com o outro. Desde Freud, entende-se que o ser humano é movido por algo que o ultrapassa — uma falta, um vazio constitutivo que nunca se preenche completamente. Jacques Lacan, ao reler Freud, aprofunda essa noção ao afirmar que o desejo nasce da falta, e que a demanda é o modo como essa falta se manifesta na linguagem. Na clínica, observamos que o sujeito fala, pede, reclama e exige algo — mas o que ele pede nunca é exatamente o que deseja. A demanda é sempre dirigida ao Outro, pois é na relação com o Outro que o sujeito busca reconhecimento, amor e existência simbólica. Contudo, o desejo permanece além daquilo que pode ser pedido ou satisfeito. Ele é o motor silencioso que move o sujeito a falar e a desejar sempre mais. Um Exemplo Clínico Certa vez, uma criança pedia insistentemente um brinquedo à mãe. Aos olhos de qu...

O Desejo que Nos Move: A Estrutura da Falta como Fundamento do Ser

O Desejo que Nos Move:  A Estrutura da Falta como Fundamento do Ser > "Nascemos inteiros; o que sentimos como falta não pode ser suprido pelo outro. A falta que existe em nós é o que nos estrutura, é o que nos impulsiona pra vida — ou seja, o desejo nos move." 1. A Falta que Estrutura Quando escrevi essa frase, minha intenção era provocar uma reflexão sobre o modo como lidamos com o sentimento de incompletude. Muitos acreditam que nascer “inteiro” significa viver sem carências, sem vazios. Mas, na verdade, o que quero dizer é que viemos ao mundo com todas as condições para sermos sujeitos — e, paradoxalmente, isso inclui a experiência da falta. A falta não é uma anomalia; é a estrutura que nos sustenta. É ela que nos coloca em movimento, que nos faz desejar, criar, amar e buscar. Desde Freud, aprendemos que o ser humano é movido por aquilo que lhe falta, não pelo que já possui. O desejo surge exatamente nesse ponto: entre o que temos e o que ainda não alcançamos. Vivemos n...