Postagens

Mostrando postagens de abril, 2025

O Sujeito Não Está Onde Pensa: A Função do Analista Como Barreira de Reflexo

O Sujeito Não Está Onde Pensa: A Função do Analista Como Barreira de Reflexo Por Elielberth Falcão A célebre máxima cartesiana "Penso, logo existo" inaugurou um tempo em que a razão foi alçada à condição de alicerce do ser.  Desde então, a consciência passou a ser tratada como território soberano da existência e do autoconhecimento. No entanto, a psicanálise, especialmente em seu eixo freudo-lacaniano, nos adverte: o sujeito não está onde pensa. A primeira provocação que isso nos impõe é clara — pensar não garante acesso ao que constitui o sujeito em sua verdade mais profunda.  O inconsciente, como estrutura discursiva, não se rende ao regime da lógica cartesiana. Aliás, é justamente o seu descompasso com a razão que denuncia o impasse da consciência como lugar de resolução dos conflitos humanos. O Paradoxo do Sujeito e o Lugar do Inconsciente Pensar não é suficiente, porque o conflito psíquico não reside na instância que pensa, mas naquilo que escapa ao pensamento.  Um l...

Somos frutos do meio que recalca

Somos frutos do meio que recalca Por Elielberth Falcão A clássica máxima de que “somos frutos do meio” atravessou séculos como explicação simplificada para o modo como o sujeito se constitui. Contudo, o século XXI, com suas complexidades técnicas e simbólicas, impõe uma releitura dessa fórmula. Não basta mais dizer que o sujeito é moldado pelo meio social; é preciso interrogar  qual meio ,  quais mediações  e  quais recalques  esse meio impõe. Hoje, quando o saber se expande pela inteligência artificial, pela acessibilidade universitária e pelo excesso de informação, percebemos um paradoxo:  quanto mais o saber se aproxima, mais o sujeito se retrai . Isso nos leva a formular algo mais radical:  não somos apenas frutos do meio. Somos, sobretudo, frutos do medo. O medo como operador psíquico Esse medo não é qualquer medo. É um medo estrutural, primário, fundante. Freud já apontava, em  Inibição, Sintoma e Angústia , que  o medo é o afeto que na...
  O Diagnóstico e o Tratamento Analítico na Perspectiva Lacaniana Resumo   Este artigo discute a afirmação de Jacques Lacan de que "quando o analista passa a vislumbrar um diagnóstico, a análise termina", enfatizando a incompatibilidade entre a prática diagnóstica e o tratamento analítico. Exploramos como essa perspectiva se alinha com a concepção lacaniana do sujeito e do inconsciente, bem como as implicações clínicas desse posicionamento. Além disso, apresentamos exemplos clínicos para ilustrar os desafios dessa abordagem na prática psicanalítica. Introdução   Na psicanálise lacaniana, o diagnóstico não desempenha um papel estrutural na direção do tratamento. Diferente da psiquiatria ou da psicologia clínica, que dependem de classificações nosográficas, a clínica lacaniana se orienta pela singularidade do sujeito e por sua relação com o desejo e a linguagem. A questão central é que um diagnóstico fixo pode se tornar uma barreira para o processo analítico. Se o analista ...
  O Silêncio Manifesto: O Dizer que se Assemelha ao "Dito Não Dito" Na clínica psicanalítica, o silêncio nunca é apenas a ausência de palavras. Ele é um ato, um discurso sem som, carregado de significados que emergem na relação analítica. Para compreendê-lo, é necessário reconhecer suas nuances e a maneira como ele se apresenta no discurso do analisando. O Silêncio Manifesto O silêncio, quando manifesto, torna-se um elemento comunicacional fundamental. Em sessão, ele pode indicar resistência , angústia , defesa ou comunicação inconsciente . A maneira como ele se instala na transferência revela muito sobre o psiquismo do sujeito. Exemplo Clínico: Uma paciente que, ao falar sobre sua infância, faz longas pausas e desvia o olhar pode estar indicando, sem palavras, um conteúdo traumático ou um ponto de recalque. Seu silêncio não é um vácuo, mas um enunciado que o analista precisa escutar naquilo que não é dito. O Dizer que se Assemelha ao "Dito Não Dito" A diferença en...